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Mania de “izar”…

Recebi isto há muito tempo, por e-mail. Agora torno-o disponível para aos/às leitores/as. Também cito a fonte autoral ao final do texto. Curtam!
Não, por favor, nem tente  me disponibilizar alguma coisa, porque não quero. Não aceito nada que pessoas  físicas ou jurídicas me disponibilizem. É uma questão de princípios. Se você me  oferecer, me der, me vender, me emprestar, talvez eu tope. Se você tornar algo  disponível, quem sabe, eu aceite. Mas, se insistir em disponibilizar, nada  feito. Caso você esteja contando comigo para operacionalizar algo, vou dizendo  desde de já: não operacionalizo nada para ninguém e nem compactuo com quem  operacionalize. Se você quiser, eu monto, realizo, aplico, ponho em operação. Se  pedir com jeito, até implemento, mas operacionalizar, jamais.
O quê?!?!?!…  você quer que eu agilize isso para você? Lamento, mas não sei agilizar nada.  Nunca agilizei. Está no meu currículo: faço tudo, menos agilizar. Precisando, eu  apresso, priorizo, ponho na frente, dou um gás. Mas agilizar, desculpe, não  posso.
Outro dia mesmo queriam reinicializar meu computador. Só por cima do  meu cadáver virtual. Prefiro comprar um novo a reinicializar o antigo. Até  porque desconfio que o problema não seja assim tão grave. Em vez de  reinicializar, talvez seja simplesmente o caso de reiniciar, e pronto.
Por  falar nisso, é bom que você saiba que parei de utilizar. Assim, sem mais nem  menos. Eu sei, é uma atitude um tanto radical da minha parte, mas não utilizo  mais nada. Tenho consciência de que, a cada dia que passa, mais e mais pessoas  estão utilizando, mas eu parei. Não utilizo mais. Agora só uso. É mais elegante  deixar de utilizar e passar a usar.
Sim, estou me associando à campanha  nacional contra os verbos que acabam em “ilizar”. Se nada for feito, eles nos  levarão à mediocridade total! Todos os dias, alguns maus tradutores de livros  americanos de marketing e administração disponibilizam mais e mais palavras que  são rapidamente operacionalizadas pela mídia, reinicializando palavras que já  existiam e eram perfeitamente claras e eufônicas. A doença está tão disseminada  que muitos verbos honestos, com currículo de ótimos serviços prestados, estão a  ponto de cair em desgraça entre pessoas de ouvidos sensíveis. Depois que você  fica alérgico a disponibilizar, como vai admitir, digamos, “viabilizar”?
É  triste demorar tanto tempo para a gente se dar conta de que  “desincompatibilizar” sempre foi um palavrão. Precisamos reparabilizar nessas  palavras que o pessoal inventabiliza só para complicabilizar nossos filhos. Eles  vão pensabilizar que o certo, o mais fashion, é ficar se expressabilizando dessa
maneira. Já posso até ouvir as reclamações: “você não vai me impedibilizar  de falabilizar do jeito que eu bem quilibiliser”.
… danibilizem-se  todos!
Se desejar, ouça  diretamente do link abaixo a livre interpretação de Antonio Abujamra, exibido no  programa Provocações de 28/02/2007.
http://www.tvcultura.com.br/provocacoes/poesia.asp

Sobre o(a) autor(a):
O publicitário Ricardo Freire  trabalha na revista Época, também escreve crônicas de humor e produziu guias de  turismo.
Mais sobre seu trabalho pode ser conferido no site  http://www.freires.com.br

Categorias:Saber e sabores
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