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7º Encontro de Compositores da CNBB

by Eurivaldo Silva Ferreira

Aconteceu dentre os dias 15 e 18 de novembro de 2012 a 7ª edição do Encontro dos Compositores da CNBB.

O Setor de Música Litúrgica da Comissão Episcopal para a Liturgia da CNBB vem realizando a cada ano um encontro de formação para compositores e letristas de música litúrgica. Considerando a necessidade urgente de aperfeiçoamento litúrgico-musical e o bom êxito dos encontros anteriores, o Setor quer proporcionar aos que se destinam a compor música litúrgica uma continuidade no aperfeiçoamento da técnica da composição e qualificação da música litúrgica da Igreja no Brasil, tendo como objetivo promover a formação litúrgico-musical de compositores e letristas com as competências requeridas à formação e ao desenvolvimento de um grupo comprometido com a música no Brasil dentro de parâmetros estéticos, teológico-litúrgicos e técnicos e culturais. Desses encontros participam de pelo menos quatro edições compositores litúrgicos que já atuam como multiplicadores em suas dioceses ou regiões, convidados pelo Assessor do Setor de Música da CNBB, ou indicados pelos membros da Equipe de Reflexão da mesma.

Esses compositores, atuando como multiplicadores, favorecem e auxiliam nossas comunidades, a fim de que possam cantar uma música que as ajudem a vivenciar o mistério pascal presente e celebrado nos diversos momentos do Ano Litúrgico. A música litúrgica é como se fosse uma casa construída em mutirão, e todos nós somos artesãos dessa música, por isso a CNBB deseja investir na formação de pessoas compromissadas com essa proposta, convidando-as a se qualificarem na reflexão e na elaboração de uma música genuína, recheada do mistério pascal.

Nas várias edições dos encontros, músicos e letristas são contemplados com subsídios teóricos e práticos voltados para a elaboração de cantos litúrgicos, ensejando conhecimento e técnicas de composição, além de ajudar a desenvolver um plano de formação litúrgico-musical, estimulando o surgimento de novas composições, como que num “mutirão”, que preencherão lacunas ainda existentes no repertório litúrgico da Igreja no Brasil.

O encontro sempre tem três eixos temáticos: a Liturgia, a Música e a Cultura brasileira, que são abordados,  discutidos e refletidos em palestras, exposições ou em rodas de conversa, por isso sempre é assessorado por músicos profissionais, liturgistas qualificados e convidados especialistas no assunto, tudo sob a coordenação do Assessor da CNBB da Música Litúrgica, Pe. Carlos Sala. Desta edição estiverem presentes 32 participantes, dentre músicos e compositores letristas de diversas regiões do país, especialmente convidados do Setor de Música da CNBB.

Organizado pela Equipe de Reflexão de Música Litúrgica da CNBB, esta edição teve como conteúdo e proposta o Ciclo do Natal do Ano Litúrgico, tendo em vista refletir e partilhar a caminhada eclesial, olhar o Natal a partir da cultura popular, refletir e aprofundar os fundamentos teológico-litúrgicos deste ciclo, bem como qualificar o conceito de mistagogia da música litúrgica. Os participantes também foram acompanhados por especialistas em duas oficinas práticas: uma de texto e poesia e outra de melodia.

A oficina de textos e poesia foi ministrada pelo Prof. Roberto Lima, especialista em linguística textual e integrante emérito do corpo docente da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, onde lecionou Filosofia e Letras, além de poeta e letrista, com participação em várias letras, sobretudo as da Campanha da Fraternidade. Nesta oficina, o foco era a elaboração de textos e a composição poética, voltados para as letras do canto litúrgico do ponto de vista formal (técnicas de composição, prosódias e estilística) e de conteúdo (liturgia e fundamentos teológicos), apropriando-se dos estilos de rima, verso, métrica e poesia. Os participantes também analisaram textos da poesia clássica, canções da MPB e estilos poético-musicais mais modernos, como o RAP, de onde puderam extrair elementos para a inspiração de seus textos.

Já a oficina de melodia teve a colaboração de Paula Molinari, professora e coordenadora do curso de música da Faculdade de Campo Limpo Paulista (FACCAMP). Essas oficinas de composição musical são voltadas para a composição de melodias, atendendo ao espírito das letras litúrgicas, onde são abordados aspectos teóricos e práticos de composição, harmonia e arranjos musicais. Quem participou desta oficina teve como material para a elaboração das melodias os textos e poesias oriundos da oficina conduzida por Roberto Lima. Durante o encontro houve um momento de partilha em conjunto do aprendizado das duas oficinas.

O tema teológico-litúrgico que circunda em torno do Ano Litúrgico é sempre abordado por um especialista no assunto. Nesta edição, Penha Carpanedo, Discípula do Divino Mestre, foi convidada para trabalhar com os participantes o Ciclo do Natal, com sua preparação (Advento) e sua extensão (Tempo do Natal). Tendo ampla experiência na pedagogia litúrgica, sobretudo nas comunidades e em escolas de formação litúrgica, tanto para jovens como para adultos, Penha introduziu os participantes no Ciclo do Natal, explorando pedagogicamente os textos litúrgicos e patrísticos próprios do tempo, tudo sob o olhar cuidadoso da mistagogia, fonte que a Igreja tem para fazer a ponte entre teologia e liturgia.

O processo da abordagem do método mistagógico aplicado ao ensaio da música litúrgica foi elaborado por Márcio Antônio de Almeida. Esse especialista no assunto, além de músico e regente de coro, atualmente dedica sua pesquisa à música litúrgica-ritual na UNESP, e em 2013 defenderá sua tese doutoral nesta área. Márcio ajudou os participantes a entrar no terreno da mistagogia e a aplicá-la ao ensaio de um canto litúrgico. Neste método parte-se da compreensão do rito, explorando seu sentido teológico, para se chegar a uma atitude espiritual. Assim, letra, poesia e melodia, são elementos que, se bem conjugados, ajudam a comunidade de fé, por meio do canto litúrgico, a se inserir no mistério celebrado.

As várias celebrações, sobretudo a Eucaristia, que aconteceram durante o encontro foram momentos fortes e marcados verdadeiramente com o espírito do qual requer a caminhada da Igreja no Brasil, principalmente porque quem delas participou, pode evidenciar o caráter permanente da realidade do mistério pascal, ainda mais quando o repertório, que foi bem escolhido, cantou aquilo que é próprio do tempo, do mistério ou da festa.

Ainda permanece como perspectiva do Setor de Música Litúrgica da CNBB a continuidade deste processo. A ideia da criação e manutenção de um corpo eclesial de compositores implica numa consciência eclesial, a de trabalhar como Igreja, tendo em vista a unidade na diversidade, principalmente quando o assunto é música litúrgica. Não se trata mais de ficar soltos, desperdiçando seus talentos, mas sim aproveitando e colocando-os à disposição da Igreja, trabalhando juntos, somando talentos, criando uma cultura, tendo uma liberdade na caridade, sem bloqueio e sem barreiras. Nesta Igreja em que todos os compositores litúrgicos estão inseridos, todo mundo tem as mesmas alegrias e esperanças, como se fosse um só coração e uma só alma. Afinal o que é a liturgia senão a memória viva de Jesus Cristo, congregados no Espírito Santo?

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